É possível no Flex 2, hoje, consumir objetos do PHP tal como era feito no Flex 1.5 com o uso do AMFPHP, assim como é possível consumir objetos Java com o OpenAMF sem a necessidade do Flex Data Services.
Para consumir objetos Java diretamente do Flex 2.0 usa-se o componente RemoteObject, que implementa um conjunto de funcionalidades – entre elas a serialização (“tradução”) dos objetos – do Java para o ActionScript 3.0. No Flex 2 o RemoteObject troca informação com o servidor utilizando um formato chamado AMF3 (ActionScript Message Format 3), de forma que ele pode conversar com qualquer servidor que também saiba receber e enviar objetos (bem como fazer sua serialização) em AMF3. O Flex Data Service é uma aplicação J2EE para comunicação entre a camada de apresentação feita em Flex e a camada de negócios em Java de alta performance, que além de “falar” em AMF3 e ter o RPC (Remote Procedure Call) via RemoteObject oferece funcionalidades de Messaging (colaboração, push de dados, etc) e de Data Management (sincronização de objetos, clientes off-line, etc). O Flex também pode se comunicar com serviços em SOAP (WebServices) ou via HTTP.
Contudo, nem sempre é possível utilizar um servidor capaz de se comunicar em AMF3, como o Flex Data Services ou o ColdFusion.
A versão anterior do Flex (versão 1.5) era baseada no ActionScript 2.0, cujo formato para troca de dados do RemoteObject era o AMF0 (não existe AMF1 nem AMF2). Para esse formato de troca de mensagens há outros servidores que podem ser utilizados, como o OpenAMF (para Java) e o AMFPHP (para PHP). O ColdFusion já conversava nativamente com o Flex 1.5, assim como faz com o Flex 2.
É esperado que essas tecnologias (OpenAMF e AMFPHP) sejam atualizados para se comunicar também em AMF3 e conversar nativamente com o Flex 2, mas ainda assim é possível utilizar as versões existentes do OpenAMF e AMFPHP que se comunicam apenas via AMF0 com o Flex 2. O que precisa ser feito, basicamente, é dizer para o Flex que os dados que serão trocados estarão no formato AMF0, e não no formato AMF3.
Como o RemoteObject só conversa em AS3, podemos utilizar a classe
1 | flash.net.NetConnection |
que igualmente pode ser utilizada para se comunicar com o servidor e contém uma propriedade (
1 | objectEncoding |
) indicando o encoding dos objetos trocados com o servidor. Essa variável é static e os possíveis valores para ela estão definidos na classe
1 | flash.net.ObjectEncoding |
:
1 | NetConnection.defaultObjectEncoding = ObjectEncoding.AMF0; |
Assim, podemos criar um novo serviço regido pela classe
1 | NetConnection |
:
1 | public var service:NetConnection = new NetConnection(); |
E definir qual o endpoint ele acessará:
1 | service.connect("http://localhost:8080/TesteAMF/amfgateway"); |
A partir daí, basta usar o método
1 | call() |
de nosso serviço (que é um
1 | NetConnection |
) para chamar os métodos no servidor. Nesse momento vamos também definir os responsáveis por tratar a resposta do servidor, utilizando a
1 | flash.net.Responder |
:
1 | service.call("Teste.getArrayList", new Responder(resultHandler, faultHandler)); |
Abaixo um exemplo completo em Flex 2.0 que se consome uma classe Java via AMF0:
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 | <?xml version="1.0" encoding="utf-8"?> <mx:Application xmlns:mx="http://www.adobe.com/2006/mxml" initialize="initApp()"> <mx:Script> <![CDATA[ import flash.net.ObjectEncoding; import flash.net.NetConnection; import mx.collections.ArrayCollection; import mx.controls.Alert; // O serviço poderá ser chamado de qualquer lugar. public var service:NetConnection = new NetConnection(); [Bindable] public var meses:ArrayCollection; public function initApp():void { // define o encoding para amf0 NetConnection.defaultObjectEncoding = ObjectEncoding.AMF0; // Conecta no servidor amf. O endereço é o "endpoint" do RemoteObject service.connect("http://localhost:8080/TesteAMF/amfgateway"); } public function getArrayList():void { // Chama o método getArrayList da classe Teste. // Define um handler para o o resultado e um para a falha. service.call("Teste.getArrayList", new Responder(resultHandler, faultHandler)); } public function resultHandler(result:Array):void { meses = new ArrayCollection(result); } public function faultHandler(fault:String):void { Alert.show('Erro'); } ]]> </mx:Script> <mx:RemoteObject /> <mx:ComboBox dataProvider="{meses}" /> <mx:Button buttonDown="getArrayList()" label="Pegar dados do servidor" /> </mx:Application> |
É possível até mesmo conectar à serviços disponíveis em uma instalação do Flex 1.5. Assim, novas aplicações podem ser desenvolvidas em Flex 2 para aproveitar os novos recursos de interface, até o servidor ser efetivamente migrado para o Flex Data Services.
Esse é um exemplo simples de integração, uma prova de conceito. Boa parte da lógica de conexão com o serviço remoto pode ser encapsulada em uma classe para ser mais fácil de trabalhar. Já há um componente muito interessante chamado RemoteObjectAMF0 que visa justamente isso.
A prática de consumo e troca de objetos é encorajada em relação ao WebService e à serviços HTTP. Além dos ganhos de performance e escalabilidade, há troca (e serialização) dos objetos nativos das linguagens. Prefira o uso do RemoteObject, aproveite os benefícios do AMF.
8 comentários
Gostei do post.
Mas só uma dica que na verdade Você pode usar o formato AMF3 sem o DataService, sem precisar dizer que o formato seja AMF0.
Em um projeto usei o Arp que já faz isso.
http://svn1.cvsdude.com/osflash/arp/trunk/as3/org/osflash/arp/AMF0Service.as
Só uma correção AMF0, Entendi errado.
É possível utilizar o AMF3 sem o DataService, como escrevi acima. Basta utilizar um outro servidor que se comunique em AMF3, como o ColdFusion e como o planejado para o OpenAMF, por exemplo.
Mas para se comunicar em AMF0, é *imperativo* que se explicite o uso de tal. O ARP 3 também faz isso, mas o faz de forma transparente (veja a classe RemotingConnection, usada pelo AMF0Service, que contém a definição de uso do AMF0).
Parabens pelo artigo Fabio, vemos nas listas que a galera ainda se confunde um pouco sobre o AMF0 e AMF3. Estou testando uma implementação em PHP5 que já suporta o AMF3, o SabreAMF
Ate mais
Leonardo França
vc poderia me ajudar a criar desde o começo tipo instalando e configurarno o openAmf com o tomcat 5.5 depois criando as classes java simples so para testes a comfiguraçao do config-xml do opemamf pra reconhecer as classes java e por ultimo o acesso via flex 2 desses dados via AMF sem o data services!!
Por favor se puder me ajudar!!
abraço fique com Deus!
Eder, há bons tutoriais na Internet sobre isso, inclusive no site da Adobe e alguns exemplos na documentação. Contudo, houve uma conversa na lista FlexDev justamente sobre isso que pode lhe auxiliar: http://groups.google.com/group/flexdev/browse_thread/thread/d12bf1db1d294645
ae pessoal, alguem sabe como eu faço um master-detail com OpenAMF? tipo via http eu tava conseguindo, pq eu gerava um xml e via como pegar mas agora com o OpenAMF eu nao to conseguindo, eu fiz duas classes no java tipo usuario e endereços sendo que o usuario pode ter varios enderecos, isso é um exemplo, mas tipo eu ate listo os usuarios mas nao consigo obter os enderecos, alguem pode me ajudar?
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